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 IS THIS LOVE? - a HQ

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Vagner Francisco
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Mensagens : 30
Data de inscrição : 24/02/2008

MensagemAssunto: IS THIS LOVE? - a HQ   Sab 11 Abr 2009, 15:51

E ae, pessoal, tudo bem?

Da série, "roteiros nunca desenhados", apresento mais um. Confiram:


IS THIS LOVE?


Cidade de Megalópolis, 1988. Bairro Vila Nova. É um bairro residencial, onde o comércio não tem muita força. Vila Nova fica próximo do centro da cidade, por isso, chega a ser um ponto de classe média. Uma das casas, no meio do quarteirão, a de número 250, é uma bela casa, com muros médios, grade, um portão grande, uma bela garagem (a porta da sala fica dentro desta). Na garagem da casa, estão três amigos: Egídio e Getúlio, de 15 anos; e Álvaro, de 14. Os três estão com um LP (chamado também de disco, coisa de saudosistas, heh) em mãos, e um toca-discos instalado próximo a uma tomada na garagem. Egídio tem o cabelo bem enrolado, estilo alguém oriundo do nordeste brasileiro. Ele está vestido com uma camisa pólo, calça jeans, um par de chinelos e um boné na cabeça; Álvaro é um pouco mais alto que os outros dois e até mais troncudo (gordo, só que não um gordo mole; meio barrigudo apenas) e está de camiseta toda rabiscada, bermuda e um par de tênis branco. Getúlio é meio cabeludo (cabelos pretos), está de camiseta lisa, calça jeans e um par de tênis All Star preto nos pés.
- Cara, comprei um disco novo. – diz, Álvaro.
Ao verem do que se trata, os amigos se surpreendem:
- Disco de novela?! - diz Egídio - Pirou?!!
- Calma. - responde o amigo, fazendo gestos com a mão. - É de novela, mas tem uma das melhores músicas que eu já ouvi.
Então, Álvaro bota o disco para tocar, enquanto os amigos ficam apenas aguardando.
- A banda se chama Whitesnake, e a música, IS THIS LOVE. - diz, todo empolgado. - Bacaaaana.
"I SHOULD HAVE KNOW BETTER THAN TO LET YOU GO ALONE..." (Eu deveria saber melhor, depois te deixar partir...) - a música começa a tocar. Álvaro se empolga ao mostrá-la aos amigos. Egídio ri sozinho, enquanto Getúlio, até então, um coadjuvante, acaba voltando-se para o portão da casa do amigo.
"...IT'S TIMES LIKE THESE I CAN'T MAKE IT ON MY OWN..." (Tempos como esses, eu não consigo encarar sozinho...)
Getúlio dá dois passos rumo ao portão da casa de Álvaro, olhando para fora com certa surpresa. Aparentemente, ele está prevendo algo que ainda não aconteceu. Então, lá fora, um par de pés delicados caminham em direção ao portão da casa de Álvaro. Os pés estão calçados num par de tênis, tudo muito belo e delicado.
"...WASTED DAYS AND SLEEPLESS NIGHTS..." (Dias perdidos e noites sem dormir...)
E aqueles pés delicados são avistados. E eles têm um rosto, o rosto de um anjo, com cabelos encaracolados negros como carvão, e um corpo pequeno, mas perfeito. A garota caminha, como faz todos os dias, e passa pela frente da casa de Álvaro. Como se num destino cruel, justamente quando frente ao portão, ela põe os cabelos por trás da orelha, com os dedos, dando um charme maior à situação.
"...AND I CAN'T WAIT TO SEE YOU AGAIN." (E eu não posso esperar pra te ver de novo).
A garota lentamente vai passando e Getúlio, por sua vez, caminha rumo ao portão. Atrás dele, Egídio cutuca Álvaro e silenciosamente os dois riem muito do amigo.
"I FIND I SPEND MY TIME WAITING ON YOUR CALL..." (Eu me encontro perdendo meu tempo esperando sua ligação)
Getúlio continua a caminhar rumo ao portão, mesmo sem perceber o que está fazendo.
"HOW CAN I TELL YOU BABY MY BACK'S AGAINST THE WALL" (Como posso te dizer babe? Estou contra a parede)
Porém, num ato totalmente inesperado, a garota resolve olhar para trás, por algum motivo desconhecido, e flagra Getúlio a admirá-la. E ela sorri um sorriso discreto.
"I NEED YOU BY MY SIDE... TO TELL ME IT'S ALL RIGHT..." (Eu preciso de você do meu lado pra me dizer que está tudo bem)
E numa alegoria de impedimento, Getúlio alcança o portão da casa de Álvaro. E ao invés de abrí-lo e sair por ele, o rapaz simplesmente segura em suas grades, como se estivesse na cadeia, botando o rosto no vão entre elas. Ele expressa um misto de descoberta e amargura. Sente seu coração ser aprisionado.
"'CAUSE I DON'T THINK I CAN TAKE ANYMORE." (Pois eu acho que não aguento mais.)

1993. Sábado a noite, festa na casa do Pó-de-Arroz. Álvaro, Egídio e Getúlio chegam juntos. Álvaro está com um paletó com as mangas puxadas até os antebraços (isso foi moda nos anos 1980). Por baixo ele veste uma camiseta branca. Está com uma calça jeans e sapatos pretos. Egídio com uma camiseta do Nirvana, calça jeans e tenis. E Getúlio, com uma camisa de mangas longas, de flanela, xadrez. Por baixo uma camiseta, calça jeans e um par de coturnos. A festa já está bombando com muita gente jovem e bonita por lá. Tudo acontece na garagem da casa de Pó. É uma garagem grande, e fechada. Os três amigos chegam e já começam a observar a "movimentação".
- Essa festa tá prometendo. - diz, Álvaro, à esquerda. - Olha só quanta mina.
- É... e uma em especial... - complementa, Egídio, cutucando Álvaro. - ... para o Getúlio. Dêem uma olhada...
- Quem? - pergunta Álvaro.
Os três amigos olham para a esquerda, onde Egídio está apontando. Lá, eles vêem a garota de cinco anos atrás, rindo muito com suas amigas. Ela está com um vestido bem bonito e sexy, com os cabelos presos.
- Maria e sua turma. - responde, Egídio.
Getúlio a observa de longe e repete a expressão de bobo. Ele balbucia algo quase inaudível.
- Porra. Ela tá linda.
Mas Álvaro ouve e responde: - Bom, linda ou não, é a tua chance, mermão. Vai lá!
Maria diverte-se muito enquanto conversa com as amigas. De repente as garotas param de rir e olham para atrás dela. Maria vira-se para ver o que está acontecendo. Lá está Getulio, olhando para ela, com um sorriso nervoso.
- Oi. - ele diz.
- Oi. - ela responde.
- E aí, tudo bem?
- Tudo. E contigo?
- Bem.
Eles ficam em silêncio.
(Can't stop the feeling I've been this way before = Eu não posso parar esse sentimento, já estive assim antes) >> a música começa a tocar ao fundo, enquanto eles conversam. Os casais começam a se juntar na "pista" de dança.
- Eu me lembro de você... - ela diz, com um sorriso meio que de sarro - é o garoto que tava na casa do Álvaro aquele dia.
- Você lembrou? - ele diz, expressando um misto de alegria com surpresa.
(But with you I've found the key to open any door = Mas com você eu achei a chave pra abrir qualquer porta)
- Claro.
(I can feel my love for you growing stronger day by day = Eu posso sentir meu amor por você Crescendo forte dia a dia)
- E da música, você lembra?
- Ulp, não.
- Que pena.
(And I can't wait to see you again = E eu não posso esperar pra te ver de novo)
- É essa que tá tocando. - Ele se aproxima dela. Há um clima pintando entre eles.
- É mesmo? Que coincidência! - ela sorri.
- Ahn, na verdade, eu que pedi pro dono da festa tocá-la. Quer dançar?
- Ahn... - ela fica sem reação a um convite tão abrupto.
(So I can hold you in my arms = Então eu posso te envolver nos meus braços)
- ...não posso. - ela responde, meio desapontada. - Estou esperando meu namorado. Sinto muito.
- Não, não... tudo bem. - ele recua. Baixa a cabeça. Sorri e olha pra ela de novo - F-fica pra uma próxima então...
- Talvez...
- Tchau.
- Tchau.
Getúlio caminha novamente para perto dos amigos, e a impressão é de que não há mais música alguma. Maria fica um pouco fria. E quando seu namorado chega, ela lhe pede para levá-la para casa.

1998. Mercado Xexeu. Um minimercado, único estabelecimento comercial que conseguiu sobreviver no bairro residencial, Vila Nova. Maria, já com seus 23 anos, uma mulher formada, linda, e muito elegante adentra o recinto. No caixa, ela observa um homem com uma garotinha no colo e parece reconhecê-lo. Ela fica lhe observando conversar com a menina.
- Quer um doce, meu bem? - ele diz, enquanto a segura nos braços e paga uma conta no caixa. A menininha fica apontando para vários lugares. - Quer um?
- Quelo.
- Oi.
Ele fica em silêncio e parece ter reconhecido a voz. Ele se volta e vê a garota com um sorriso aberto, parada atrás dele, com as mãos para trás. Ele então sorri, meio envergonhado e responde... - Hã, oi, tudo bem?
- Tudo. E essa moça linda, quem é? - ela se inclina para o lado da menininha.
-"Eu sou a Mércia" (ele diz como se fosse o interprete da criança) Diga "oi" pra moça, meu bem...
- Tem que dizer por que? - pergunta a criança.
- Por educação.
- Oi. - ela diz.
Getúlio então pega a menina no colo, recebe um papel da caixa do mercado e inicia uma conversa com Maria.
- E aí, como estão as coisas, tudo certo?
- Tudo. Tudo bem. Você casou?
- Pois é. Já tem uns três anos. E você?
- Ahn, não. Ainda não encontrei o cara certo.
- Ou os caras certos é que não te encontraram, heh! - ele diz, arrancando um sorriso de Maria. E já rapidamente começa a sair, se despedindo... - Bom, temos que ir. Diga "tchau" pra moça, meu bem.
- Tem que dizer por que.. ?
Maria fica ali, observando o pai conversar com a filha nos braços e um certo nó se estabelece em seu estômago.

2008. De volta à casa de Álvaro. A mesma casa. A garagem, a mesma garagem. Uma festa está acontecendo ali. Maria agora tem 33 anos e está aparentando a idade. Ela conversa com Getúlio, com 35. Ele está meio grisalho, um pouco flácido, meio cheio, tipo o físico de Mickey Rourke no filme Sin City, meio estranho. Ele tem algumas rugas. Maria está usando maquiagem para disfarçar um pouco a passagem dos anos. Está com um cabelo um pouco mais curto. Getúlio está com cabelo curtíssimo, estilo "maquina 02". Ele está vestindo uma camisa de mangas curtas com alguns botões meio abertos. A camisa está por fora da calça. EStá de calça jeans e um sapatenis. Maria, de camiseta agarrada também, seios não tão firmes, calça jeans e um par de sandálias nos pés. Na festa estão Egídio, já casado, brigando com a mulher, que não quer que ele beba muito. Egídio está bem gordo, enquanto sua mullher é uma afrodescendente bem brava e o trata como uma criança. Álvaro está deitado num banco, estilo esses que ficam nas beiras das piscinas, de bruços, com um curativo na região das costas indo até a base lombar. Ele está sem camisa, de bermudas e óculos escuros. Álvaro também está com cabelo bem curto. Há outras pessoas na festa, todas figurantes.
- Engraçado que tudo tenha começado aqui, na casa do Álvaro... - diz Maria, enquanto toma um gole de cerveja.
- Verdade. - concorda, Getúlio - Mas não podíamos deixá-lo sozinho, principalmente depois da cirurgia.
- É mesmo.
Maria toma um gole de cerveja enquanto Getúlio a observa.
- Eu me envolvi com ele algum tempo atrás. - ela diz com ar de confissão.
- Ele me contou. Você sabe como ele é... (Getúlio, com as mãos tenta imitar o jeito de Álvaro) "Olha, cara, quero te dizer uma coisa para que isso não se interponha em nossa amizade. Eu beijei a Maria. Pronto! Tá dito e não se toca mais no assunto".
- Ah, ah, ah. Foi assim mesmo que ele disse?
- Exatamente assim. Você o conhece...
- Mas foi bom... o Álvaro apareceu no momento certo para me tirar de um caminho que poderia ser sem volta. - ela toma outro gole de cerveja - Eu estava me empertigando, achando que só deveria me envolver com homens com certos padrões de vida. Você sabe, eu trabalhava num banco, imaginava que a vida era aquele tipo de embalagem...
- Sei. - ele responde, enquanto bebe de seu drinque também. - E agora, você faz o quê?
- Sou administradora de uma empresa de internet banda larga.
- Legal.
- É, não ganho muito bem, mas o salário sai em dia e só trabalho de segunda a sexta. E você? Faz o que?
- Aham... - ele pigarreia, tentando disfarçar - sou segurança numa Escola.
- Interessante - ela diz, tentando aparentar mais interesse que na verdade está tendo.
- Bom, eu só trabalho de segunda a sexta também. - eles caem na risada.
- Lamento pelo fim de seu casamento - ela fala com o copo na boca, prestes a bebê-lo. Maria olha nos olhos de Getúlio, que primeiramente fica em silêncio, e só depois conclui - Vocês pareciam felizes.
- E éramos. Mas em algum momento, a felicidade acabou. - ele fica em silêncio mais um pouco e depois pergunta: - E você? Casou?
- Bom, como eu disse naquele dia, ainda não encontrei o cara certo.
- Bom, sei que não tenho certos padrões de vida... (eles caem na gargalhada juntos)...mas gostaria muito de me candidatar.
O clima entre eles fica interessante. Ela passa a lingua por entre os dentes de cima e de baixo. E com um sorriso, arremata: - Só se a música tocar de novo!
Eles se aproximam mais e mais.
(IS THIS LOVE THAT I'M FEELING? = Isso é amor o que eu estou sentindo?)
Muda o cenário. O casal, em meio às sombras, se beija, num abraço apertado.
(IS THIS THE LOVE THAT I'VE SEARCHING FOR? = Esse é o amor que eu estive procurando?)
Em meio às sombras, Getúlio tira a blusa de Maria. Ele já está sem camisa.
(IS THIS LOVE OR I'M DREAMING? = Isso é amor ou eu estou sonhando?)
Ele desliza a mão por sobre a barriga rígida dela, enquanto a observa.
(THIS MUST BE LOVE = Isso tem que ser amor)
Ele a abraça, passando a mão por suas pernas, beijando-lhe o pescoço, e ela, expressando entrega e relaxamento, o aguarda, passando as mãos por suas costas.
('CAUSE IT'S REALLY GOT A HOLD ON ME... = Pois isso realmente toma conta de mim)
Eles ficam ligados sexualmente, enquanto se beijam e se abraçam, deitados numa cama.
(A HOLD ON ME = Toma conta de mim)
Depois.
Eles estão deitados, abraçados, em meio a lençóis. Getulio faz um carinho nos cabelos de Maria, que por sua vez passa a mão no peito peludo dele. Ambos estão felizes e satisfeitos.
- E então? - Maria quebra o gelo e pergunta...
- Hmm..?
- Valeu a pena aguardar vinte anos para finalmente me levar pra cama?
- Eh, eh... - ele ri e faz uma pausa - sabe, deixa eu te contar uma história sobre o time que torço, o Flamengo. Nos últimos anos, sempre que não conseguiam contratar ou demitiam algum técnico, jogavam para um ex-jogador, o Andrade, a responsabilidade de "segurar as pontas" do time, como técnico interino. Tudo sempre ia bem, o Andrade era respeitado, todos gostavam do jeitão dele e ele sempre salvava o time. Até o dia em que resolveram efetivá-lo no cargo.
- O que aconteceu? - ela se vira para ele e eles ficam frente a frente (mesmo deitados).
- Bom, nada aconteceu. A impressão era de que o tempo dele havia passado. - ele fica em silêncio por um tempo, olhando fixamente algum ponto no teto do quarto de Álvaro. E depois complementa - É mais ou menos a impressão que senti enquanto a gente tava aqui, juntos. Que o nosso tempo passou.
Maria, então, vira-se um pouco, sorri, e solta sua resposta...: - Heh! Pior que eu senti o mesmo.

* IS THIS LOVE é uma música da banda inglesa, Whitesnake, de 1987, e fez um enorme sucesso mundial, estourando nas paradas. No Brasil, tocou também numa novela, o que aumentou a popularidade da música e da banda. Whitesnale, embora mantenha apenas o vocalista, da formação original continua firme até hoje e inclusive lançou o álbum Good To Be Bad, em 2008, após 11 anos sem gravar músicas inéditas. Em sua turnê mundial, a banda passou pelo Brasil.
Abaixo segue o video da música. Confira...




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