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 NÔMADE - comentem por favor...

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Vagner Francisco
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MensagemAssunto: NÔMADE - comentem por favor...   Ter 11 Mar 2008, 18:12

E ae, pessoal, tudo bem? Estou de volta com mais um roteiro. Até para provar que eu não escrevo apenas HQs do Val, eh, eh. Essa chama-se Nômade e está em minha gaveta a um bom par de anos. Ofereci para alguns amigos, mas acredito que o volume de páginas os tenha afugentado um pouco. Bom, taí a história. Podem mandar os tomates...

Abraços!!!



NÔMADE


Futuro. O mundo encolheu. As civilizações encolheram. Não havia saúde, água potável, energia e verba para todos.
Então, eis que uma decisão mundial se fez: elitizar a população. Os que tinham condições (financeiras, mentais, sociais e por aí vai) de adentrar as novas cidades, os POLOS HUMANOS, adentraram. Aqueles que eram rejeitados, ficaram de fora dos altos muros das cidadelas.
O mundo agora está sendo controlado de perto pelas Nações Unidas, depois que os EUA sumiram do mapa. Além deste país, Chile, Venezuela, Argentina, Oriente-Médio (exceto Jerusalém), a Ásia (com exceção do Japão) e toda a Rússia, todos foram dizimados.
A cidadela do Brasil, construída onde um dia foi o estado do Rio de Janeiro (o primeiro estado brasileiro a ir pelos ares quando o exército resolveu acabar com o tráfico por lá) é uma das menores do mundo, com o maior índice de excluídos.
E é em meio a essa imensa massa que encontramos um homem sem nome, de poucas palavras, que assim como vários outros, ganha a vida “catando” lixo que os elíticos dispensam em suas latas de lixo. Esse homem é Nômade.
Os excluídos não podem entrar na cidadela. Eles apenas pegam o lixo que os “entregadores de coleta” entregam nos limites das muralhas de trás da cidadela.
Há excluídos na cidadela, mas são conhecidos como credenciados. Os credenciados são aqueles não-capazes de entrar pelas próprias forças, mas que através do trabalho braçal, como seguranças, policiais e outras funções informais, acabam vivendo por lá.
Aliás, são os credenciados que mantém a paz e a ordem na cidadela.

Como todos os dias de coleta, Nômade acorda bem cedo e leva sua carroça até o ponto de entrega para buscar o lixo e vendê-lo aos recicladores. Isso é permitido entre os excluídos e eles não seguem lei alguma. Em seu habitat, eles podem matar, roubar, estuprar, agredir uns aos outros e nada lhes acontece.
No ponto de entrega, Nômade agüenta todo tipo de gozações dos entregadores e dos policiais. Ele tem apenas dois amigos: a mula, que puxa sua carroça e o cão, que, amarrado à parte traseira da carroça o segue aonde ele quer que vá.

Numa das manhãs, dois policiais e um entregador conversam sobre uma dívida que contraíram, enquanto Nômade arruma a carroça para botar o lixo.
Então, um deles começa a reparar no homem sem nome e conclui que esse “negócio” de “coletador” pode render uma boa grana. E, talvez, Nômade já esteja quase rico:
- Aí, sabe o que eu reparei? – diz o Sargento. – A carroça do Negão (*) tá a cada dia mais ajeitada!
(*) Negão é o Nômade.
- É... – concorda o Cabo - o Negão deve tá enricando, com esse negócio.
- Mas isso é errado! O que ele vai fazer com essa grana, se os portões da cidadela estão sempre fechados pra um fedido como o dele?
- Sei lá... de repente, ele ta guardando para comprar um visto e morar dentro da cidadela.
- Aaaahhhh... será que ele é tão ingênuo assim? Que apenas dinheiro é suficiente para se entrar na cidade dourada? Meu, o cara fede!
- Ah, ah, ah, ah! Tu é foda!
- Mas eu pensei numa coisa: talvez ele possa nos ajudar a pagar aquela grana pro Tucão.
- Iihhh... nem me fale nesse cara...
Então, o sargento se levanta e dá 3 passos em direção ao Nômade:
- Aí, ô Negão... – Nômade se vira para ele - ...chegai!
O Sargento se aproxima dele e da carroça. O Cabo o segue com um sorriso maroto.
- Carroça limpinha.... – diz, enquanto a rodeia - ...tá bonitona! Sabe o que eu tava falando com o Cabo aqui? – apontando com o polegar para o Cabo – Que você deve ta com um belo pé de meia, já, né?
O Sargento olha profundamente nos olhos de Nômade, que nada diz, apenas termina de arrumar sua carga.
- Tava pensando se não poderia nos ajudar a saldar uma pequena dívida aí...
Mas... os dois policiais param Nômade quando ele já está apto a ir embora, enquanto o entregador começa a rodear seu cachorro. Eles o provocam. Nômade tenta sair dali rapidamente, puxando sua mula pelo cabresto, mas um policial o segura e o outro pega no cabresto da mula – pelo outro lado – parando-o.
- Queisso, Negão? – diz o Sargento, enquanto o segura com a mão no peito - Não me deixa falando sozinho, não. Tá abusado, héin?
- Eu num tenho dinheiro, não. Já pago tudo conté imposto que a lei obriga. Num me sobra quase nada. Priciso ir... - Nômade se desvencilha e empurra o policial.
Este fica irritado com a atitude do excluído e ordena: - Aí, ô Entregador... pode jogar a carga dele no chão.
- NÃO!! - Nômade tenta impedi-lo, mas o policial o segura pelo braço. – A carga é minha!
- Não é mais, ah, ah, ah! - Reponde o entregador enquanto joga toda a carga no chão.
Os outros coletadores, como abutres, roubam a carga de Nômade, deixando-o muito furioso.
- Oba! Mais carga! Vamulá!! – são alguns dos comentários feitos pelos outros coletadores que avançam no que era a carga de Nômade.
Ele, então, empurra novamente o policial, desta vez com mais força, e parte pra cima do entregador.
- Sai da frente! – diz.
- Calminha aí, Negão! - O policial então saca sua arma e dá uma coronhada na nuca do excluído, que com um urro de dor, cai. O outro policial chega e começa a chutar-lhe a barriga e a cabeça.
- Nós fomos legais contigo! – diz o Sargento – Mas, nããããooo, você tinha que folgar, né? Pois então...
Então, o Sargento dispara um tiro na barriga da mula. Nômade grita de dor e pânico. O outro policial lhe espanca mais ainda.
- ...nós não permitimos animais feridos aqui! – Sorrindo, ele continua... – Eu terei que sacrificar sua mula.
Ele então, dispara outro tiro no animal, mas desta vez, na cabeça. E gargalha! Nômade fecha os olhos com força.
Os outros coletadores vêem a mula morta e pegam suas lâminas (uma espécie de ‘faca’, só que feita de metal, tipo zinco, com cabo de borracha enrolada) para garantirem um pedaço da carne para si.
E o Sargento continua: - Seguinte, Negão! Pensa na nossa proposta... Nós tamos precisando de 20.000 Moedas. – ele diz enquanto corta a corda que prende o cão de Nômade à carroça – Você traz pra gente e nós devolvemos o pulguento! Você não traz e nós cozinhamos o bicho e deixamos os outros fedidos como você rangarem ele. Tamos te esperando o mais rápido possível! – Então, os dois policiais e o entregador saem.
Nômade sangra e chora, sem nada dizer. De olhos fechados, ele ouve o entregador fechar o portão que separa a cidadela dos excluídos. Em choque, Nômade desmaia.

Depois, quando abre os olhos, ele percebe que fora socorrido pelo mais velho coletador dali, que o carrega em seu carrinho.
- Hei, minino. Ocê num ta bão. Vô ti leva pra casa... Lá ocê vai podê discansá! Num liga presses monti di abutre, não! – encerra o velho.
Nômade, por sua vez, nada diz.
Assim, eles rumam para casa, no assentamento dos coletadores.
Enquanto voltam, Nômade se lembra do passado:
- Isso é tudo que eu posso te dá, meu fio! Essa mula é sua por herança quando eu mi for.
De quando seu pai, sem nada a oferecer, lhe diz que quando falecesse, a mula seria sua . Ele lembra dos olhos lacrimosos do pai em poder deixar-lhe apenas uma mula. Mas lembra também do orgulho de poder ter uma mula só para si, quando até então, nunca teve nada:
- ‘Brigado, pai! – e o pai sorri.
Ele lembra também, de quando encontrou o cão. Foi na Guerra Definitiva, 7 anos antes, quando o cão ainda era um filhote, único sobrevivente de uma matilha esmagada pelas botas dos soldados. O pobre cãozinho chorava muito e tinha muita sorte em não ser pisoteado pelos soldados que por ali corriam. Nômade, na época, ainda um menino, escondido numa valeta, acompanha o sofrimento do cãozinho e se aproveita de uma breve pausa de saraivada de balas e pisoteios para rolar até o cãozinho, pegá-lo e rolar de volta para o abrigo. Desde então, ambos se tornaram inseparáveis.
Quando volta a si, Nômade sente um áspero pano embebido com água, passando por sua testa, tirando uma mancha de sangue já seca, mostrando um belo corte no supercílio:
- Tá doeno ainda? - É a esposa do velho quem cuida do rapaz. – Foi um corte feio. Mai já qui ‘cordô, vô pega comida.
Ele ganha um belo prato de sopa, bem modesta, com muito caldo e pouca proteína, mas suficiente para alegrar qualquer um: - Toma! Tomara que ‘teja boa! – Ela diz.
- ‘Brigado! – ele agradece.
- E aí? Miorô? – diz o velho, parando na porta da frente do barraco – Ocê foi muito valente lá hoje. Mai isso num é sinomo de esperteza.
- Eles mataro minha mula – justifica o Nômade.
- Ieu vi. – completa o velho – Mai morre num vai traze ela di vorta!
Após terminar a sopa, ele se levanta e caminha até a porta, onde está o velho parado.
- Eles pegaro meu cachorro! – se enfurece.
- Deixa! – pede o velho – É um bão cachorro, mai é só um cachorro, entende?
- NÃO! Ele é meu amigo e vô trazê ele volta!
Nômade caminha até seu barraco, sendo seguido pelo velho. Outras pessoas na rua (de terra) os observam enquanto caminham. Há cachorros correndo, criançada brincando, mulheres com trouxas na cabeça, homens encostados em barrancos...
- Eles vão ti matá, minino... – diz o velho, seguindo-o bem vagarosamente.
Nômade entra em casa – um barraco cheio de quinquilharias, com muitas coisas enferrujadas e velhas, como ferros de passar, chuveiros velhos, botijões de gás, botas velhas, tudo o que se pode achar em lixos de pessoas ricas – e vai até um velho e sujo baú. Ele tira um monte de ferro, madeiras, fiações de lá de dentro. Até que:
- Achei! – ele diz ao encontrar o que estava procurando: um fuzil militar e um cartucho de projéteis.
- É tudo di que eu preciso.... – conclui.
Ele, enquanto tira o pó do fuzil, se lembra como o encontrou. Foi na guerra. Um soldado foi atingido perto dele e caiu já em choque. Nômade pegou-lhe a arma, as botas e a gandola e depois o enterrou. O garoto então guardou tudo até que a guerra acabasse. Agora chegou a hora de usar a arma, já que a gandola e as botas, ele já usou por muito tempo.
Ele então, carrega o fuzil e o pendura nas costas. O velho tenta impedi-lo de fazer qualquer besteira, mas é impossível segura-lo.
- O qui ocê vai faze cum essa arma, mininu? – pergunta.
- Velho... - Nômade responde mudando de assunto – Podi fica ca minha casa e tudo aqui drento! Acho qui num vô pricisá mais memo...
O velho o abraça e chora de emoção.
- Ô, mininu... ocê sempre foi cumum fio pra nóis. Vai cum Deus! - Mas não quer deixa-lo ir.
Porém, Nômade vai andando pela terra seca que se alojou por ali. Como se a visão de uma câmera aérea se abrisse, o vemos ir-se e o velho sentar-se na varanda da casa dele. Outras pessoas passam entre eles, olhando-os. A esposa do velho caminha para junto do marido.
Na cidadela, no posto policial, os policiais penduraram o cão do Nômade bem no meio do posto. Eles conversam bastante, enquanto tomam umas e outras. Eles estão em 5 e todos estão esperando o dinheiro do resgate.
Nisso, Nômade mete o pé na cidadela e adentra os portões. Então chega um policial e lhe aborda:
- EI!! O que você pensa que está fazendo, negro? Gente como você não pode entrar aqui e sabe disso...
- O sargento tá misperano... – retruca Nômade.
Parado de braços cruzados, na porta do posto, o Sargento o vê conversando com o policial e confirma o fato:
- É isso mesmo, soldado. Deixa-o passar.
- Mas Sargento... – tenta argumentar o policial - ...Excluídos são proibidos de adentrar os portões da Cidade Dourada. – Nômade vira o rosto nessa hora - Há risco de contaminação.
- Eu devo usar minha patente, Soldado? – Diz o Sargento com sorriso maldoso.
- Er... não, senhor.
- Ótimo! Agora, deixa esse estrume passar.
Cabisbaixo, o policial se afasta deles e Nômade caminha para o posto policial ao lado do Sargento, que gargalha...
- Ah, ah, ah! Esses policiais novatos… sempre tentando fazer a coisa do jeito certo... “À base da lei e da ordem”. Mas então... – eles param na porta do posto policial – Vamos falar de negócios? Trouxe a grana?
- Cadê meu cão? – emenda Nômade.
O Sargento aponta para dentro e mostra o animal de Nômade pendurado numa gaiola, bem no meio do posto.
- Olha a criatura ali. – diz o Sargento – Bem tratado... por enquanto.
- Mas também... – completa um policial lá dentro que caminha para a porta, onde eles estão - ...ele ta pele e osso. Nem pra uma canja ele serve.
O riso, dentro do posto policial, é geral. Até que o Sargento se contém para falar de negócios...
- Ah, ah, ah... ai, ai… Então, cadê a grana?
- TÁQUI! – responde Nômade dando-lhe um tiro na barriga. Ele cai chorando e gritando.
O policial que fez o comentário sobre o cão se assusta com o tiro e tenta correr, mas é alvejado pelas costas.
Os outros saltam para suas armas, mas o Nômade os acerta.
Aí, ele pára, baixa a arma e olha ao redor. Tudo continua silencioso. Aí, então, ele pega sua lâmina, corta a corda que pendurava o cão e o tira da gaiola.
- Vem amigo... – ele diz ao tirar o cão da gaiola. O animal logo o reconhece e abana o rabo.
Enfim, Nômade põe seu amigo embaixo do braço e sai do posto policial.
Calmamente Nômade caminha pelas ruas da cidadela até ser interceptado por um pelotão de soldados que lhe miram na cabeça. Eles ficam a uns 2 metros de distância dele.
- PARADO AÍ, NEGÃO! – Grita o Comandante.
Nômade ergue sua arma como se fosse um soldado, recordando-se de quando viu os soldados que se renderam na Guerra Definitiva.
- O que você fez no meu posto policial, seu esterco ambulante? – Pergunta o Comandante.
- Fui busca meu amigo.
- Que amigo?
- Este! – mostra, Nômade, o cachorro embaixo de seu braço.
O Comandante fica mais irritado ainda...
- O QUÊ?! – ele diz, desabafando – Você invadiu essa cidadela sob meu comando, matou 5 de meus policiais e ainda infectou minhas ruas com sua imundície apenas por causa de um maldito cachorro magro e sarnento?
- É. – responde Nômade calmamente.
- Sabia que eu posso te esquartejar aqui e agora e ninguém vai me condenar?
- Sei, sim senhor. Mas nu fundo, eu fiz um favo pro senhor.
O Comandante estranha o que o rapaz diz.
- Como..?
- Eu mostrei pro senhor que essa cidadela ta mal guardada.
- O quê? – interroga o Comandante, já saturado daquilo.
- Se eu, suzim, invadi a cidadela e matei 5 policial, o que impede todos os Excluídos de tenta entra tamém?
O Comandante o fuzila com os olhos. Nômade solta um sorriso banguela (sem os dentes da frente).
- Suma da minha frente! – decreta o Comandante.
- Sim, senhor! – agradece Nômade, mostrando a falta de dentes.
Todos ficam olhando Nômade caminhar com seu amigo embaixo do braço rumo a qualquer lugar, pois sabe que se voltar ali, pode não ter a mesma sorte.
FIM
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Tonon



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MensagemAssunto: Re: NÔMADE - comentem por favor...   Qua 12 Mar 2008, 10:50

Sem tomates, Vagner. Você escreve muito bem. Mas entendo a fuga de seus amigos. Temos o número de páginas que será enorme e... "eta" história difícil de desenhar.
Você se lembra do desenhista da Kripta José Ortiz?
Enquanto lia sua história, não podia deixar de imaginar o mestre Ortiz com seu desenhos sujos (no bom sentido) e escuros, como desenhista.
Imaginei certo? Você imaginou a história em escura, bem na penumbra? Muita sujeira?
Gozado. Neste exato momento estou terminando de desenhar um conto futurista como o seu, igualmente pessimista, mas sem a profundidade social que sua história tem. Mas como a história tem apenas 8 páginas e a maior parte dela é ambientada dentro de uma nave, a coisa está bem mais fácil para mim.
Em tempo. Vagner, onde estão os roteirista? Será que o pessoal está com vergonha de mostrar as idéias?
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johnkillsrats



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MensagemAssunto: Re: NÔMADE - comentem por favor...   Qua 12 Mar 2008, 13:11

Olá Vagner, não sou profissional de quadrinhos mas me interesso bastante por roteirização.
Desenho um pouco (não muito) e tenho projetos na área de quadrinhos, vamos ver se saem!

Sobre a história do nomade achei bem legal e tenho alguns comentários, gostaria de levantar alguns pontos sem criticar por criticar:

1) Acho que seria legal mostrar que critérios exatamente fazem uma pessoa ser excluída ou de elite. Na história os guardas deram a entender que o nomade poderia até conseguir um visto para entrar na cidade se tivesse dinheiro o suficiente.

Em um mundo pós-apocalipse creio que dinheiro não seja um fator tão importante quanto a posse de recursos (agua, remédios, equipamentos antigos ainda funcionais) ou conhecimento (engenharia, medicina, técnico em eletronica, militar...)


2) Seria legal mostrar como o nomade sabe manejar um fuzil militar. Manejar a arma e conserva-la funcionando não são coisas triviais que qualquer pessoa possa saber. Talvez só pegar a arma do soldado morto não seja convincente.


3) A ação no fim da história poderia ser mais elaborada para dar um gosto de "quero ver esse policial corrupto se ferrando aos poucos". Um ataque aberto do nomade pode ser meio ingenuo. De repente ele poderia emboscar os policiais fazendo-os ir para um depósito de lixo, onde ele conhece muito bem os esconderijos e espaços.
O policial corrupto sendo morto logo de cara corta o barato de ve-lo sair de uma posiçào que ele se julgava dominador pra uma posição de presa.


4) Eu acho legal e fico comovido com a morte e sequestro dos animais do nomade. Mas talvez para muitos leitores possa ser um recurso meio clichê. Talvez uma motivaçào que dê um gancho pra mostrar um pouco do funcionamento da cidadela seja mais legal.

Acho que é isso, mas creio que a história tem muito potencial!
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DZA

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MensagemAssunto: Re: NÔMADE - comentem por favor...   Sex 14 Mar 2008, 01:31

Também não tenho do que reclamar... ficou legal! Cara, lendo sua história só consigo pensar num mangá, é muito no estilo. Ou então naquela HQ Druuna. As vezes também penso em uma história de mundo pós-apocalíptico ambientada no Brasil, mas como sempre que vi alguma desse tipo ou é ambientada no Japão ou nos E.U.A. fica meio estranho, como se estivesse fora de lugar, sei lá. Ficou, inovador!
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Tonon



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MensagemAssunto: Re: NÔMADE - comentem por favor...   Sex 14 Mar 2008, 08:35

Realmente é inovador, DZA. Mas também é lógico. Se a sociedade humana caísse, destruida por uma guerra atômica (que não poderia ser total ou não sobrariam nem baratas), biológica ou uma praga brutal, acredito que os países do primeiro mundo seriam devastados totalmente, literalmente pasteurizados, sem sobrar nada. Regiões menos desenvolvidas, com populações isoladas, teriam mais possibilidades de sobreviver.
O Brasil seria um dos países com chances de manter parte de sua população. Quem vai jogar uma bomba atômica no alto do Amazonas, ou no pantanal?
Os herdeiros da Terra poderiam muito bem ser índios, esquimós, tuaregues e pigmeus.
Agora, eu admito que uma guerra nuclear limitada não entra na minha cabeça. A queda da civilização teria de ser por outro meio.
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DZA

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MensagemAssunto: Re: NÔMADE - comentem por favor...   Seg 17 Mar 2008, 01:55

Eu acho que a melhor forma de acabar com a humanidade seria com uma praga... tipo o ébola é tão mortal que não se espalha, mata o cara por liquefação das células cerebrais em cerca de 3 dias. Então acaba contido porque ninguém tem tempo de fugir infectado e espalhar a doença. Acrescente a isso um longo período de incubação que varia de pessoa para pessoa (como no caso da aids...) e pronto! Fim da humanidade. tongue
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Vagner Francisco
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MensagemAssunto: Re: NÔMADE - comentem por favor...   Seg 17 Mar 2008, 17:48

Olá, amigos, tudo bens? Desculpem o sumiço... às vezes não consigo acessar a net por causa do trabalho e de um cursinho pré-vestibular que estou fazendo agora. Ta tomando boa parte de meu tempo. Desculpem mais uma vez. Bom, responderei a todos de uma só vez para não ocupar muito espaço, ok? Começando pelo Tonon, então...

1) Sem tomates, Vagner. Você escreve muito bem. Mas entendo a fuga de seus amigos. Temos o número de páginas que será enorme e... "eta" história difícil de desenhar.
Olá, Tonon, tudo tranqüilo, meu amigo? Puxa, fico muito feliz em saber que estou conseguindo agradar a você com esses roteiros. Tento sempre melhorar a cada historia que crio. Espero ir para o caminho certo, vamos ver... Mas concordo contigo. Essa história é meio difícil mesmo de desenhar. Pra você ter uma idéia, minha concepção inicial era de que a história ficaria em torno de 10 páginas. Aumentei pra 15 e no final, com toda certeza giraria em torno de 22.

2) Você se lembra do desenhista da Kripta José Ortiz? Enquanto lia sua história, não podia deixar de imaginar o mestre Ortiz com seu desenhos sujos (no bom sentido) e escuros, como desenhista. Imaginei certo? Você imaginou a história em escura, bem na penumbra? Muita sujeira?
Então, na verdade, haveria muita sujeira e sarjeta. Mas o início seria bem “laranja”, cor de poeira, tipo as histórias da Druuna (e o DZA matou a charada). Mas depois do segundo ato, tudo fica mais escuro, até mesmo para dar mais peso à trama, um clima mais tenebroso. Quanto ao José Ortiz, não conheço o trabalho dele, amigo, sinto muito. Mas tenho certeza que é muito bom!

3) Gozado. Neste exato momento estou terminando de desenhar um conto futurista como o seu, igualmente pessimista, mas sem a profundidade social que sua história tem. Mas como a história tem apenas 8 páginas e a maior parte dela é ambientada dentro de uma nave, a coisa está bem mais fácil para mim.
Pô, Tonon, que legal!! E você poderá mostrá-la (ou ao menos um pouquinho dela) por aqui, pra gente? Tomara que sim. Deixe-me dizer que li uma história de faroeste que você desenhou e achei muito boa mesmo! Gostei demais, amigo. Também quero te dizer que uma de minhas próximas histórias é um faroeste. Quando tiver mais detalhes, conto aqui. Mas acho teus traços fantásticos de verdade.
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Vagner Francisco
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MensagemAssunto: Re: NÔMADE - comentem por favor...   Seg 17 Mar 2008, 17:49

1) Olá Vagner, não sou profissional de quadrinhos mas me interesso bastante por roteirização. Desenho um pouco (não muito) e tenho projetos na área de quadrinhos, vamos ver se saem!
Olá, John, tudo bem, meu amigo? Cara, só de se interessar por quadrinhos, pelas engrenagens deste e pelas questões que levantou em cima de meu roteiro, isso já mostra um faro apurado pela qualidade, amigo. Então, você tem talento, heh!!

2) Sobre a história do nomade achei bem legal e tenho alguns comentários, gostaria de levantar alguns pontos sem criticar por criticar:
Manda, então. Vamos nessa.

* a) Acho que seria legal mostrar que critérios exatamente fazem uma pessoa ser excluída ou de elite. Na história os guardas deram a entender que o nomade poderia até conseguir um visto para entrar na cidade se tivesse dinheiro o suficiente. Em um mundo pós-apocalipse creio que dinheiro não seja um fator tão importante quanto a posse de recursos (agua, remédios, equipamentos antigos ainda funcionais) ou conhecimento (engenharia, medicina, técnico em eletronica, militar...)
Bom, antes de mais nada, quero dizer que você tem um ponto de vista muito parecido comigo: você é um crítico. E isso não é demérito para ninguém, não. É ótimo ser crítico, ter uma opinião, isso é muito bom, John. Bem, dito isso, deixe-me defender minha história. Bom, Nômade nasceu de minha vontade em criar um “herói catador de papel”. Sabe? Achei a idéia de adolescentes (com recursos, família estruturada, amigos, escola particular, etc) se identificarem com um ser marginal, sem teto, sem recursos ou cultura, e nem mesmo dentes, muito interessante. Porém, embora há aspectos sociais na trama – como o Tonon apontou – a saga de Nômade foi feita para ser algo pop, de leitura rápida, estilo um filme de verão como esse novo do Doug Liman, JUMPER. Então, eu quis mostrar questões sociais pertinentes ao nosso país, mas sem cair na armadilha do quadrinho-denúncia. Em relação a dinheiro, olha muita gente diz que dominará o futuro aquele que tiver maiores recursos hídricos, ou até mesmo o petróleo seja o futuro. Não sei! Tenho minhas dúvidas que o dólar morrerá tão fácil assim. Então, ainda boto fé no dinheiro como moeda de troca; talvez não seja em moeda ou cédula como é hoje, mas pode ser em cartão, ou até mesmo um código de barras em nossas testas, como dizem as profecias do apocalipse. Então, embora há várias vertentes a seguir para o futuro, eu fui na mais óbvia mesmo.

• b) Seria legal mostrar como o nomade sabe manejar um fuzil militar. Manejar a arma e conserva-la funcionando não são coisas triviais que qualquer pessoa possa saber. Talvez só pegar a arma do soldado morto não seja convincente.
Ah, sim, com certeza. Porém, aí eu esbarraria no fator limite de páginas. Como disse acima ao Tonon, imaginei a história bem curta, 10 páginas no máximo. Quando comecei a escrevê-la, o negócio cresceu de tamanho. Hoje acho que chegaria tranquilamente em 22 páginas. Porém, posso dizer absolutamente a você que se eu me atesse a todos esses detalhes, a historia poderia correr o risco de ficar burocrática demais, sabe? E eu queria algo redondinho, tipo, esse Jumper, ou até mesmo, sei lá... Triplo X.

* c) A ação no fim da história poderia ser mais elaborada para dar um gosto de
"quero ver esse policial corrupto se ferrando aos poucos".
Um ataque aberto do nomade pode ser meio ingenuo. De repente ele poderia emboscar os policiais fazendo-os ir para um depósito de lixo, onde ele conhece muito bem os esconderijos e espaços. O policial corrupto sendo morto logo de cara corta o barato de ve-lo sair de uma posiçào que ele se julgava dominador pra uma posição de presa.
Então... eu não queria fazer o Nômade muito inteligente; queria vê-lo fazer as coisas pela emoção, tipo o Rambo, sabe? Mexeram com o cara errado. Simples assim. Quanto ao vilão, não sei, mas acho que ficaria visualmente fantástico ver esse policial tomando esse balaço no peito (acho que é no peito, NE? Esqueci agora).

• d) Eu acho legal e fico comovido com a morte e sequestro dos animais do nomade. Mas talvez para muitos leitores possa ser um recurso meio clichê. Talvez uma motivaçào que dê um gancho pra mostrar um pouco do funcionamento da cidadela seja mais legal.
Então... é que, bom, o cara é solitário e eu queria tirar emoção dele, mostrá-lo tendo laços com alguém ou alguma coisa. Queria algo forte como alguém arriscar a própria vida para salvar um cachorro doente e sem muito tempo de vida. Quanto à cidadela, pra você ver, cheguei a pensar em fazer do nômade o regente dela, ao seu final – numa história muito maior – mas minha mulher leu a historia e falou que assim ficou mais interessante. Então, deixei. Mas não me arrependo, não. Gostei da história.

Acho que é isso, mas creio que a história tem muito potencial
Muito obrigado mesmo pelas palavras e pela atenção, John. E por favor, continue ae conosco, debatendo, postando histórias, desenhos, arte, o que quiser. Abraço!!
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Vagner Francisco
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MensagemAssunto: Re: NÔMADE - comentem por favor...   Seg 17 Mar 2008, 17:50

1) Também não tenho do que reclamar... ficou legal! Cara, lendo sua história só consigo pensar num mangá, é muito no estilo. Ou então naquela HQ Druuna. As vezes também penso em uma história de mundo pós-apocalíptico ambientada no Brasil, mas como sempre que vi alguma desse tipo ou é ambientada no Japão ou nos E.U.A. fica meio estranho, como se estivesse fora de lugar, sei lá. Ficou, inovador!
E ae, DZA, tudo bom, meu caro? Tudo certo? Valeu, cara! Fico contente que tenha gostado do roteiro. Quanto às suas questões, digamos, filosóficas, é verdade... geralmente futuros apocalípticos aparecem mais em comics ou mangás. Mas acho que o Watson Portela já explorou esse terreno também e ficou muit bom!! Abração.


1) Realmente é inovador, DZA. Mas também é lógico. Se a sociedade humana caísse, destruida por uma guerra atômica (que não poderia ser total ou não sobrariam nem baratas), biológica ou uma praga brutal, acredito que os países do primeiro mundo seriam devastados totalmente, literalmente pasteurizados, sem sobrar nada. Regiões menos desenvolvidas, com populações isoladas, teriam mais possibilidades de sobreviver.
O Brasil seria um dos países com chances de manter parte de sua população. Quem vai jogar uma bomba atômica no alto do Amazonas, ou no pantanal?
Os herdeiros da Terra poderiam muito bem ser índios, esquimós, tuaregues e pigmeus. Agora, eu admito que uma guerra nuclear limitada não entra na minha cabeça. A queda da civilização teria de ser por outro meio.
Relamente, Tonon, você está coberto de razão, mas do jeito que os líderes mundiais andam flertando com o totalitarismo ultimamente, começa a dar medo. E olha que não são apenas esses presidentes americanos, não. O próprio presidente francês já começa a dar sinais de saturação com a opinião alheia. Mas torçamos para o melhor sempre, Ne? Senão... Inglaterra triunfa!

1) Eu acho que a melhor forma de acabar com a humanidade seria com uma praga... tipo o ébola é tão mortal que não se espalha, mata o cara por liquefação das células cerebrais em cerca de 3 dias. Então acaba contido porque ninguém tem tempo de fugir infectado e espalhar a doença. Acrescente a isso um longo período de incubação que varia de pessoa para pessoa (como no caso da aids...) e pronto! Fim da humanidade.
Mas você sabe que essa idéia está nas cabeças pensantes do mundo todo? Se houver (queira Deus que não) uma próxima Guerra Mundial, os vírus entrarão com tudo nela. É mais fácil e barato. Abraço!!
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